quarta-feira, 4 de novembro de 2009

As Imagens de um futuro que já aconteceu .

é engraçado como o tempo esclarece as coisas por você,e que toda vez que você pergunta 'por que' alguém do outro lado sussurra a resposta, é só saber ouvir. escutar é um mistério pra mim, é como falar debaixo d'água, aprendi a ler lábios depois de tanto vai e vem dessa maré.
as pessoas não se obrigam a amar ninguém, nem a odiar, na verdade pra mim sentimento é como relâmpago em noites chuvosas, no meio de tanta escuridão, confusão e desespero algo vem do céu e te proporciona um fio de clareza, de exatidão, talvez seja rápido demais para ser percebido, ou então difuso o suficiente para que você o interprete de formas diferentes, mas depois que ele passa, não sobra nada, só o barulho, demonstrando o eco do que se foi, te assustando com a possibilidade do retorno, e morrendo no silencio escuro de uma noite sem estrelas.
eu me arrisco a dizer que amanhã pode ser diferente, como ontem foi .. me arrisco a pensar na possibilidade de que tudo que acontece de maneira igual não volte, me arrisco a mudar de rumo, a seguir em frente, aceitando a possibilidade do destino rir de mim de novo, e me deixar com um sorriso tolo de criança na cara, um sorriso que passa com uma brisa leve mas que transborda em mim um devaneio supracitado menos denso, mais claro e mais feliz, menos ingénuo e acima de tudo, consciente.

thamara morgan

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vácuo

desde aquele dia, eu presto mais atenção na minha coordenação motora, faço força para resistir e duplico a atenção em respirar para não correr o risco de morrer outra vez.
desde aquela noite, o céu não amanhece nem clareia no alvorecer, só piora. eu tento então obrigar meus pés a andarem em linha reta ao invez de voltarem a vontade própria, lamento a mim mesma e ao meu coração o fato de não te olhar nos olhos, te ver periféricamente já faz o barulho aumentar, a pressão subir e no meu peito acelerar um desencantado ser sem vida, cinza e pacato, um ser que rói unhas ao invez de ler aquelas velhas poesias, e se debate em relutância quando naquela TV escura anuncia um filme de romance. Em cada canto da casa, do quarto, da terra eu posso sentir, um rastro de duvida arrastando a crueldade, esmagando minhas poucas gotas de liberdade e me tornando prisioneira do meu próprio desejo particular. agora, eu não quero mais nada, nem se quer olharei minhas pegadas, e viverei no vácuo, entre as coisas importantes e necessárias pra mim, para não me enganar denovo, não me ferir denovo e deixar curar qualquer falha que meu coração vacilante e esperançoso puder cometer novamente.
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tempo que não posto aqui né, estou retomando um pouco mais lenta do que o normal, tentando me lamentar pouco e viver o amanhã e não o hoje que dói mais ;}

ThamaraMorgan

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

calçada preto e branco

eu posso sentir meu coração forçando para sair do peito, e os batimentos duas vezes mais lentos do que deveriam estar. eu tento me controlar e impor limites aos meus sentimentos que borbulham em minha garganta e mesmo assim meus pés e mãos se contorcem e se movimentam irritadiços enquanto eu tento desfarçar. hoje eu tentei ser eu mesma, me deixei fazer e falar o que eu gostaria, com um pouco de cuidado e zelo é claro porque, infelizmente para mim ainda existe o amanhã. daqui da sacada do décimo andar eu deslumbro a possibilidade de uma queda, fico calculando os metros e imaginando meu corpo estirado lá em baixo na calçada preto e branco. os vizinhos certamente iriam reparar, ou não, com suas bocas sujas e seus mil e um compromissos, provavelmente pulariam meu corpo, como muitos já fazem por mero desprezo, tenho crises de riso quando me vejo lá em baixo, e meu coração, em choque continua tentando fugir de mim. Tumtum tum ..

Thamara Morgan_ em niterói

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

minhas botas

um grito mudo faz calar minha poesia. e meu canto que era canto, doravante rouquidão.
mais uma vez com um melancólico brilho no olhar eu venho rezar a mesma missa fúnebre de sempre. como o mundo perde tempo com as coisas fúteis e corriqueiras da vida, como a felicidade pode passar por você, na ponta dos pés, e não ser reconhecida.
eu me orgulho da minha clarividencia hoje, ela foi exatamente e meticulosamente certa em tudo que eu pensei ter sonhado, mais não sonhei. um vislumbre as avessas que retrata a minha negatividade continua e uma dor pulsante que do meu peito escorre desde aquela manhã de Julho. eu quero bater minhas botas, enlamaçadas e encharcadas de poeira, seria um bom dia para pendura-las de novo, quem sabe na próxima encarnação eu tenha mais sorte com a minha própria vida, e possa cuidar com mais zelo da do outros, eu quero um telefone, eu quero ter asas de retrocesso eu quero usar meus texto para encantar alguém e amolecer o egoísmo do meu e orgulho de um certo outro coração, eu quero a minhas botas, bate-las e pendura-las pra sempre.

thamara.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mentira

- mentira. mentira que você me ama, que você me quer. mentira que me vê contigo ao longo dos nossos 60 anos e vai dormir por perto quando eu não tiver nada melhor para fazer, mentira.
eu quero acordar morta e sozinha, sóbria e pronta para caminhar descalça outra vez, eu quero tocar o mar. o entulho da cidade me causa asco, e jogado junto a pilha de ossos molhados, esta você, outro brinquedo da minha velha coleção, nunca me trouxe felicidade mas eu, ingénua que sou, tenho medo de jogar fora. mentira só serve pra deslavar o que é verdade, só serve para escancarar a verdade nas pessoas e recomeçar com os aplausos quando o show acabar. ninguém se importa com a verdade, a verdade passa despercebida quando a mentira é dita e consumada, muito mais saudável porem. eu quero ouvir as vozes do mundo, e navegar longe dessa tempestade de coisas que sinto e falo temporariamente. eu quero poder olhar meus olhos no espelho, e não notar os vermelhões nem a humidade que isso tudo vem causando a eles. a mentira só serve pra enganar, ou até mesmo tornar branda as ações que você não pode remediar, eu quero viver de mentiras, viver de fantasia e de êxtase, eu quero mais uma mentira pra me sentir a vontade por aqui, e sentar com meus brinquedos na pilha de ossos, e brincar com os fantasmas do passado.

I will go this alone
I don't need nobody's help
I've gotta do this myself
Alone, alone, alone, alone [papa roach - sometimes]


thamara

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sózinha

sozinha, na minha própria sala de estar eu posso me sentar e chorar em paz. nada é como antes, nada foi quanto deveria ter sido, mais do mesmo jeito é aqui que acabo.
eu não espero nada das pessoas, mesmo. me delicio com meus próprios pecados e dores de ser humana, e deixo que vivam, acabo achando que faço bem, quando na verdade não é simplesmente nada. eu posso vê-las de longe e sentir quando me tocam com sua generosidade ou arrogância, tanto faz, porque as cicatrizes não fazem a mínima diferença, como tatuagens que me fizeram quando era jovem e meu mundo era bonitinho. to aprendendo a sufocar meus sentimentos, e voltando a passar a hora do jantar dentro do quarto, evitando me relacionar e oscilar com relação as ressonâncias de uma vida sem brilho. morrer não seria certo, o certo é ficar aqui, sentada na minha sala de estar, sozinha.

Thamara

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Viaduto

do relógio da igreja vejo que são oito da manhã, mais pra mim são seis, simplesmente é o que me parece, e hoje é o que vai ser. as nuvens no céu professam a chegada de mais chuva e de mais dias acinzentados como hoje, faz 4 anos que não vejo meus filhos. agora os vejo sorrindo, abrindo devagar seus grandes olhos orientais e brindando a vida com um bom dia a meus netos recêm chegados. bem de longe ouço zumbir a musica de seus rádios relógio, eles cantam aquelas velhas canções que o tempo me fez esquecer da melodia, e agora, sentindo um leve cheiro de pão doce vindo da padaria, eu me lembro dos lábios dela pronunciando outro 'eu te amo' aos pés dos meus ouvidos. Um arrepio corre a minha espinha, como daquela vez que a vi dançar com outro rapaz, mais bonito e bem vestido que eu, mais mesmo assim não me fez deixar de te-la. Posso vê-la caminhando comigo agora, meus pés tropeçam um no outro e a musica é abafada por buzinas e palavrões direcionados a mim, eu posso ouvir o que eles estão pensando, ouvir suas cabeças coagindo em uma sinfonia que diz: 'um viaduto não é um bom lugar para um velho caminhar.'
um urubu come a carne de um pequeno animal ali embaixo, e a cada passo eu me sinto em cima, puxando o ar pelas beiradas e sentindo o perigo sussurrar no meu ouvido, finalmente paro.
Donde estou, a cidade me observa, as pessoas me vêem, até o urubu parou de devorar seu café para me observar. menos ela, já ouvi dizeres de que não voltará, tudo bem, eu me conformo. Me conformo em ser o velho abridor de latas que não serve para mais nada agora, que ninguém quer jogar fora, eu me conformo sim. ela sorri pra mim enquanto as pessoas se juntam a multidão para me observar, o rio lá embaixo projeta um retrospecto da minha vida em camera lenta, eu posso sentir o que foi bom, e agora não é nada. desperdício seria continuar assim, parado, esperando que algo aconteça, o fim da linha chegou e eu posso dizer que vivi, então minhas ultimas gotas de dignidade dependem disso.
o urubu agora me fita com interesse. um sorriso atravessa meu rosto, e de olhos fechados, vislumbrando o rosto dela.E lá de cima, eu me atiro.

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um cara se atirou do viaduto hoje, um cara sem nome, um cara sem motivo, um cara.

thamaramorgan.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Hoje mesmo


um incansável dilema me toca enquanto observo meu rosto umido contorcido no espelho.
vejo então que nasci órfã, de tudo mesmo, principalmente dos próprios sonhos.
me deram de presente nós pra encaixar na garganta, e de verdade, eu nunca os quis usar.
as minhas escolhas e decisões interferem no que sou, ou escolhi ser hoje, mais quem disse que isso ajuda ? quem disse que quando você chega aos 15 anos tem que parar de agir como se sua infância não importasse o suficiente, e álcool e drogas o fizessem realmente feliz ?
admito: não sei o que é felicidade, também não sei o que é verbalizar isso .
eu sou o súbito e o inconstante tremor desatino, que você estampa na cara na hora que quer ser corajoso e forte, bom e bonito, caridoso e amargo.
toda vez que me sinto ligeiramente alegre, penso em voz alta e erro. digo a palavra magica, sagrada, que só um ser humano fútil pronunciaria. as silabas tocam o céu da minha boca junto a língua, o som ecoa sob meus dentes e como saliva cuspo então, o terrível veneno da humanidade : Fe-li-ci-da-de repito, e ai tudo desmorona, e um cata vento de misericórdia desaba sobre mim junto com culpa e desgosto, porque eu sou o único ser humano, que foi mal dito com esse bem dizer, ilicitamente julgado como culpado e destruidor do próprio destino por blasfémia. eu gosto como as lágrimas tocam minha boca agora, eu sinto denovo essa familiar sensação de solidariedade a mim mesma, e eu ouço com clareza os espíritos tricotarem dizendo ao pé do meu ouvido: 'tadinha, a pobre órfã envelhecida pelo tempo ajoelhada ali, implorando por um julgamento que nunca pediu, nascida de maldição e jurada como pagã'
e que tenha o dito, amém.

eu amo muito mesmo o meu pai, mesmo que seja ele quem não esteve lá pra presenciar a minha tragédia.


Thamara Maciel

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

primeira pessoa

perdida novamente eu pretendo falar de mim na primeira pessoa, exatamente assim, em primeiro lugar, a mais importante e egoísta também.
me olho no espelho e as sombras por traz dos meus olhos me dizem para voltar a ser a menininha que era antes, mas infelizmente ela faleceu a muito tempo, e eu mal tive tempo de chorar seu funeral.
as pessoas mudam, nem sempre pra melhor, nem sempre pra pior, só mudam. é tão difícil compreender isso que seus olhos vão arder quando olhar para os meus novos 1,65 e batom vermelho na boca.
antes eu poderia dormir no seu colo pai, hoje nem espaço sobra mais para isso. acho que é assim, os adolescentes aprendem a chorar sozinhos, ou com pessoas erradas. eu aprendi sozinha, e ainda to aprendendo ainda.
Não sou simpática, só quando quero alguma coisa, não sou carinhosa a menos que esteja com uma crise preocupante de felicidade, não sou mansa porque não preciso de ninguém fazendo festinha atraz da minha orelha nem babando sobre meu cabelo.
e em hipótese alguma: não solto minhas pedras. sabe as pedras ? aquelas que machucam, que ferem e que deixam cicatrizes profundas ? eu sou cheia delas. aprendi com a vida e a vida me mudou, sei que pago caro por isso, mais não paguei alto suficiente por isso tudo ?
se você não é capaz de me compreender, meu escudo esta de prontidão para suas farpas, e eu não vou mudar, não enquanto estiver falando em primeira pessoa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

olhar para atrás

bom, to postando porque me prometi que ia postar ;}
acabei com o orkut, e pra não morrer a vida social criei um twitter, que eu não sei mexer, e atualizei o fotolog, de anooooos atrás.
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vejo então como é ser fútil, como é dizer obrigado as pessoas de quem não me agradeço de conhecer. observo quanto tempo passou desde a ultima vez em que me lembrei dos meus amigos de verdade, e quantos deles deixei morrer na minha longa jornada até aqui. pra que thamara ? pra nada, simplesmente aqui, onde deveria estar não ? com um bom livro pra ler nos fins de semana e alguns hematomas fruto de tentativas frustradas de andar de bicicleta, eu queria ter preservado aquilo tudo. quanto tempo não paro para olhar pra traz, quanta coisa minha memória usa pra trair minhas verdades ? mas de que me adianta se sempre que olho pra traz tomo de vez um novo tropeção, e digo a você: cair dói. só não dói mais do que olhar pra traz querida.
eu já me achei uma garota de muitos amigos, mas agora me considero uma garota de muitas lembranças. as pessoas morrem, e se perdem no meio do caminho, não da tempo de segurar na mão delas, e nem de olhar para atrás, porque toda vez que olho, caio, e cair dói.