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Conto: A aventura no Oriente. Capítulo 2: Em busca da menina perdida

Enquanto sou interrogada pelo dono do Iate, conto mentalmente 7 homens usando vestimentas tradicionais imaculadas e o meu inquisidor de bermuda e chinelo. Devo ter deixado transparecer um sorriso, pois o rapaz me perguntou qual era a graça e porque o estava ignorando? Respondi: Porque esses homens estão usando batas e você não? Minha voz pareceu bem menos corajosa assim que saiu da boca, o arrependimento veio de imediato. Que forma terrível de começar uma conversa, mas para minha surpresa, não fui repreendida. 
Mr. Calvin respondeu " Você gosta?  São os costumes locais. Não se chama bata, chama kandoora! Estou disposto a responder todas as suas perguntas moça, mas teremos que ir até o meu escritório. " 
Me levantei do cais e ali deixei só as marcas das minhas pegadas na areia. Pensei que aquilo seria a última pista sobre mim na vida e logo o vento apagaria. Aceitei o convite do anfitrião, eu não tive muita escolha. Atravessando o quintal reparei na piscina gigantesca em forma …
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Conto: A aventura no Oriente Capitulo 1: Fazendo novos amigos

Eu viajava pela Asia, nas regiões das kastas mais menosprezadas pela cultura local. Escolhi aquele nicho pois sabia que lá poderia encontrar uma história interessante e explorar os aspectos sócio-culturais dos Emirados Árabes. Andando pelas vielas, me deparei com uma placa escrita em Inglês "Loja de Artefatos Madame Khalil", decidi subir as escadas vermelhas e cheguei a uma espécie de salão com paredes amarelo ovo.
O lugar era repleto de coisas, texturas e formas. Eram cabideiros com roupas volumosas e muito brilho. Mal tive tempo de fuçar nas louças decorativas quando fui interrompida bruscamente por uma menininha mal humorada. Lathifa estava vestindo um vestido de pano de saco, totalmente contrastante com aquele lugar, tinha os cabelos pretos com cachinhos na ponta e um olhar penetrante de uma boneca que nunca piscava. A pequena parece ter me dado uma bronca em seu idioma, quando não respondi, ela trocou algumas palavras tipo "não toque se não for comprar". Logo i…

Tempo e Espaço

Descobriram que é possível viajar no tempo. Na real, já sabiam a muito tempo mas ninguém podia dar plena razão a um louco, concordar com tudo que Albert Einstein teorizou seria admitir, ainda em vida, que ele era um gênio da ciência. Estão acostumados a homenagear os mortos.   Buquês de rosa em túmulos, monumentos em praças, citações em livros, tornam-se mecanismos de memória. Quando o ser vivo transita ele é insignificante. Sem valor até que a sua presença se perca. Seria engraçado o físico falar sobre o tempo tendo viajado por ele. Desvendando o futuro tornando ridícula qualquer menção já obvia. Se viesse até 2016 e voltasse em 1912, tendo aberto o enigma, não o revelaria.       Comparando as civilizações seria confrontado com tantas semelhanças. O ritmo de aprendizado do mundo caminha em passos lentos. Poder, territorialismo, ganância e segregação racial são os holofotes de toda discussão. Ainda não evoluímos. Como a ciência entregaria a chave do sucesso intergaláctico em nossas mão …

O que a vida trás

Entre um sambinha aqui e outro acolá eu te encontrei de repente. Apesar da boa aparência o desinteresse pairou nos meus olhos porque, graças a Deus, não me seduzo pelo que vejo. Porém bastou dois dedos de prosa pra nos seus braços eu me acomodar e pensar que pra sempre eu podia ficar, e a gente até jura no momento. Diz-se ser pra sempre, diz-se fazer muito bem um a outro, diz-se que poderia passar a vida toda assim beijando, chupando e mordendo. Como se fosse natural qualquer calafrio na espinha e expectativa de futuro, foi assim que meu coração novamente se partiu.
Não importa quantas vezes eu jogue com as cartas marcadas, não basta os dribles e tiradas que a minha boca planeja, a verdade permanecida é que as pessoas se empanzinam uma das outras e quando estão fartas de prazer, de tortura, conhecimento e riso, partem para o próximo gole, a primeira estrada adiante.
A melancolia disso tudo se tornou habitual, quando eu gosto muito de alguma coisa meus olhos mareiam esperando sempre pe…

se ontem eu cantei teu nome o eco já não morre cedo.

Esse texto pode ser considerado uma relíquia egípcia da minha piramide particular, das quais se leva meses escavando e outros outros retirando o pó para que esta possa ser admirada, pois então vamos, é hora de terminar.



10/10/2013

- Ei, desconhecido!
- Oi menina
- As coisas estão estranhas entre a gente não é mesmo ? ( te conheço a quanto tempo? duas semana ? te vi quantas vezes ? duas ou três
- ser estranho remete ao fato do mundo ao nosso redor não fazer muito sentido, eu finjo estranheza e você não é normal mesmo rs
- (...)

24/01/2014

É totalmente desesperador quando nos deparamos o quão estúpidos somos ao idealizar alguém. Eu antes pensava que seria a ultima vez, que meu ponto final tinha chegado e eu não me arriscaria mais ao erro de me apaixonar, me entregar e receber o troco em sofrimento. Porém a vida veio me mostrar que nem sempre é assim, que duas décadas não são o resumo de lamurias de uma vida inteira e o ato de exercer esse direito de viver vem com perdas e ganhos, decepç…

Borboleta embriagada

Os dias são corridos demais, as semanas passam e as coisas cotidianas acabam turvando nossa visão de nós mesmos, do lugar que pertencemos e as vezes até de quem somos. Acabamos então nos transformando em robôs, meros fantoches do dia-à-dia, fazendo parte da massa geral, um número, um contato, um individuo sem nome fazendo parte das estatísticas . Acontece que venho pensando nas coisas que a gente não vê, em pessoas que estão em meu coração a tanto tempo pegando poeira que eu nem me lembro mais de saber como está, alguém que marca presença as vezes em palavras, comentários mas não em matéria, um fantasma presente nas paredes da sala tão conveniente como um quadro emoldurado, nada mais.

Fiz mentalmente uma lista das musicas que me lembravam vocês, das fotos que queria te mostrar e de coisas que não sei se você sabe de mim e através dessas revisões acabei me percebendo, passamos tanto tempo embriagados e fora de nós mesmos que nem nos conhecemos, e acabamos convivendo com um intelecto des…

Reflexão

Nós seres humanos temos mania de dominação, queremos o controle de tudo e todos e o escape disso nos frusta, entristece, nos faz sofrer. Acontece que nem sempre algumas escolhas dependem da gente, acontece o tempo, acontece a idade, acontece o destino e as vezes não acontece. Muitas vezes me pego mapeando meus próprios passos, prevendo as minhas próximas pegadas e torcendo pra tudo sair nos conformes, mas nada nunca sai do jeito que queremos. Com as responsabilidades coube-me o amadurecimento e através deste parei de tentar prever, a vida me surpreendeu tantas vezes que as certezas do caminho deixaram de ser prioridade. Ando olhando adiante sempre, mas o problema dos planos é que algumas vezes não aproveitamos o presente por conta do futuro, nos contentamos com o fato de que logo tudo que está acontecendo seja bom ou mal vai acabar se esvaindo e sendo apenas transição, nada mais. Acontece que percebi com o passar dos dias que o casulo também é importante, para que se forme algo novo …