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Mostrando postagens de Novembro, 2008

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uma névoa imaculadamente branca acolchoando o chão e o tilintar das gostas de chuva na janela, o sugestivo presente prateado num erguer de mão e depois só o frio de uma parede tão amarela quanto o sorriso ao perceber que acordou.
Ou apenas pensou ter acordado, ou então voltou a dormir, quem vai saber ?

os olhos foscos brilham com a luz do dia, e em uma mizerável repulsa pelo cheiro de orvalho cresce em seu pulmão. ainda pode ouvir o sonho da noite passada, ainda sonha o sonho da noite passada. pendura lampejos flutuantes em sua memória pra não se esquecer de lembrar, pra lembrar do sonho que ainda não teve, pra guardar em si um doce gole de deja vu retardatário que gira na sua cabeça assim como a musica.

você pode encostar a cabeça no peito dele e se concentrar em ouvir o coração, pode aconchegar-se em pranto na solúvel solução de deixar pra lá.
você pode ouvir um 'eu te amo' grunhindo de sua caixa toraxica e ainda sim suportar.
o som vem abafado, como se só os batimentos cardíaco…

natureza doentia

quando foi a ultima vez em que você olhou no espelho e não se deparou com uma figura totalmente tosca, quase irreconhecível .. até pra você mesmo ?
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eu consigo contar nas mãos os meus amigos, aliás, em uma mão só.
não me orgulho de gente que me segue e admira o que eu faço.
e eu estou realmente doente. doente de alma.
ou talvez eu seja de uma natureza doentia.
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arrumei um amigo imaginário.
desculpa pra conversar com a minha própria cabeça .. havia tempo que eu não parava pra me ouvir.
os chiados são sempre altos de mais, não só pra mim .. mas também pra você.
287 decibéis ao pé do ouvido, delicia pra quem nunca realmente escuta a realidade.
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eu queria que meu presente fosse uma caixinha com tictac dentro .. provavelmente eu pensaria durante os instantes de agonia de abrir o singelopapel colorido que fosse um radio relógio.
pra me acordar pra vida.
mas eu só ia pensar.
do outro lado ia dormir mais feliz.
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bem mais feliz.

ThamaramorganburnS

No Mundo de Outra Lua

você vê o quanto chove lá fora, e mesmo assim insiste em perguntar.
você pode sentir minha boca se contorcendo em seu peito e ainda assim você quer saber o motivo das minhas lágrimas não cessarem.
eu já me cansei de olhar para esse pedaço palido de árvore, onde eu não fiz questão de ponderar os meus fantasmas.
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você plana em seu universo alternativo sem se perguntar o propósito gravitacional que te envolve.
é bem mais fácil dominar e dizer ter conquistado uma coisa que não pode reagir a sua possessão.
você se lembra tanto dos outros, exige tanto a mudança repentina do mundo, mas mal se lembra do que comeu hoje mais cedo.
você se esconde diante de palavras e sorrisos decorando a melancólica paisagem de um espaço que não é seu.
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onde você esqueceu o seu próprio mundo ?
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nada mudou dos 3 minutos anteriores, até o agora.
e você francamente não espera que mude.
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experimente bater o pé e flutuar, experimente observar no espelho a sua careta ao não entender o fato.
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o fato de que a lua nunca foi sua, o…