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Mostrando postagens de Julho, 2009
certo, o sensacionalismo me abala e me influencia de maneira fácil e estérica, mais eu posso aprender.
eu posso ver as menininhas gritando do outro lado do vidro, pra mim o som é oco e mudo ao mesmo tempo, e eu posso ver que eles se retribuem mutuamente pelo esforço e tudo aquilo que elas ofereceriam em troca de alguns momentos perto de carne, osso, sangue e vãos entre órgãos que qualquer outro tipo de ser humano tem.
eu não sustento nenhum esteriótipo em relação a minha vida, e nem pretendo fazê-lo em relação a sua. eu me prendo a relacionamento humano, psicopatas e histórias em quadrinhos, e eu convivo muito bem com os três, alimentando junto ao meu fone de ouvido, meu silencio e minha cura espiritual que chega durante o sono. então, o que você pode fazer para me impedir disso ? porque haveria de te incomodar meus vícios e manias ? porque ?
em meio a tanta futilidade, materialismo e subversões, porque deveria entreter seus sofrimentos com o que eu digo, falo ou penso ..
é claro, que com…

eu posso me acostumar.

eu posso engolir você em um só gole, e cuspir na tua cara enquanto aspiro tuas lágrimas em vão.
veneno maldito que ao invés de curar, corroí. eu posso lidar com isso, como todas as outras vezes lidei. posso me acostumar com o acido e penetrar na tua pele como fez em mim, eu posso me acostumar a viver dessa maneira. o poema não tem graça se não botar em pratica paixão e dor, então chacoalhe os dois e não prove do resultado, porque talvez não seja forte como me tornei, bruta, cruel e insaciavelmente insana. eu posso lidar com suas lágrimas, com sua dor. eu posso cuidar de tudo isso, eu e minha garrafa fanática por álcool, que ao contrario de mim, quebra quando cai no chão. você precisa suspirar e suspeitar das minhas decisões por debaixo do pano, porque jogar sujo é a forma mais marota de vencer, e eu estou cheia de me embriagar e pular para o próximo gole.

thamara_

que horas são ?

Ser ou não ser, essa é a questão: será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obstáculos e, enfrentando-os, vencer? Morrer — dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores, como os mil abalos inerentes à carne — é a conclusão que devemos buscar. Morrer — dormir; dormir, talvez sonhar — eis o problema: pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida.

William Shakespeare, in "Hamlet"
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meu desapego esta em tudo que calo, e na inconstância de se sentir bem ou não.
meu desapego esta nas palavras duras e nos momentos de desejo, esta na morte súbita, e esta na vontade de uma nova vida mais intensa.
a veemência da minha plenitude se esconde por traz de todo os meus sonhos sujos e fétidos, e que tenha o dito.

thamaramorgan

obs.-

bom finalmente de férias, ent…

5ª avenida

as caixas não falam, não esboçam sentimento, não tremem nem sentem frio, as caixas não pensam e nem tem direito a sofrer por coisa alguma, algo util eu aprendi aqui de cima.
um novo papel manchado por gotas de chuva e uma velha história de bolsa pra fazer peso, eu os vejo mendigar por liberdade.
da sacada vestindo toalha de banho e fumaça de charuto ela sente a garoa beijar seus olhos umidos; o vizinho deveria parar de fumar, e ela deveria ir se vestir, mas que diferença faz as cinco da manhã.
a luz dos carros ilumina porcamente o asfalto coberto por ratos e merda de cavalo, o sol diz um sonoro bom dia por traz de grandes prédios e outdoores te mostrando como se deve sentar, vestir e comer.
posso sentir fome de uma nova taça de vinho, e cede de um bom prato de almôndegas para o jantar, como papai fazia, antes de ter espasmos musculares por uma nova puta da 5ª avenida.
é bom viver sozinha, respirar sozinha, ser observada apenas pelos pombos e latas de aerozol vazias na boca da lixeira, talv…
violando o espaço sideral, e perdendo o rumo no inverso de um instante, eu quero perder a cabeça. eu me acho ligeiramente sóbria, ligeiramente consciente das minhas facadas, seria menos doloroso desmaiar, ou vomitar de novo, mais não consigo.
o álcool tem efeito subversivo e eu não posso evitar as marcas dos meus dedos na parede por isso. sofre, sofre e deixa que veja garota, mostra que a dor só dura até o nascer do dia e que o amanhã demora mil anos pra clarear, mais uma hora vem. vou esperar, calçando meus pés em meias e com um novo gole de café numa xícara vermelha, tão normal, que ele vai até se assustar ;

thamara