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Mostrando postagens de Agosto, 2009

Viaduto

do relógio da igreja vejo que são oito da manhã, mais pra mim são seis, simplesmente é o que me parece, e hoje é o que vai ser. as nuvens no céu professam a chegada de mais chuva e de mais dias acinzentados como hoje, faz 4 anos que não vejo meus filhos. agora os vejo sorrindo, abrindo devagar seus grandes olhos orientais e brindando a vida com um bom dia a meus netos recêm chegados. bem de longe ouço zumbir a musica de seus rádios relógio, eles cantam aquelas velhas canções que o tempo me fez esquecer da melodia, e agora, sentindo um leve cheiro de pão doce vindo da padaria, eu me lembro dos lábios dela pronunciando outro 'eu te amo' aos pés dos meus ouvidos. Um arrepio corre a minha espinha, como daquela vez que a vi dançar com outro rapaz, mais bonito e bem vestido que eu, mais mesmo assim não me fez deixar de te-la. Posso vê-la caminhando comigo agora, meus pés tropeçam um no outro e a musica é abafada por buzinas e palavrões direcionados a mim, eu posso ouvir o que eles e…

Hoje mesmo

um incansável dilema me toca enquanto observo meu rosto umido contorcido no espelho. vejo então que nasci órfã, de tudo mesmo, principalmente dos próprios sonhos. me deram de presente nós pra encaixar na garganta, e de verdade, eu nunca os quis usar. as minhas escolhas e decisões interferem no que sou, ou escolhi ser hoje, mais quem disse que isso ajuda ? quem disse que quando você chega aos 15 anos tem que parar de agir como se sua infância não importasse o suficiente, e álcool e drogas o fizessem realmente feliz ? admito: não sei o que é felicidade, também não sei o que é verbalizar isso . eu sou o súbito e o inconstante tremor desatino, que você estampa na cara na hora que quer ser corajoso e forte, bom e bonito, caridoso e amargo. toda vez que me sinto ligeiramente alegre, penso em voz alta e erro. digo a palavra magica, sagrada, que só um ser humano fútil pronunciaria. as silabas tocam o céu da minha boca junto a língua, o som ecoa sob meus dentes e como saliva cuspo então, o terríve…

primeira pessoa

perdida novamente eu pretendo falar de mim na primeira pessoa, exatamente assim, em primeiro lugar, a mais importante e egoístatambém.
me olho no espelho e as sombras por traz dos meus olhos me dizem para voltar a ser a menininha que era antes, mas infelizmente ela faleceu a muito tempo, e eu mal tive tempo de chorar seu funeral.
as pessoas mudam, nem sempre pra melhor, nem sempre pra pior, só mudam. é tão difícil compreender isso que seus olhos vão arder quando olhar para os meus novos 1,65 e batom vermelho na boca.
antes eu poderia dormir no seu colo pai, hoje nem espaço sobra mais para isso. acho que é assim, os adolescentes aprendem a chorar sozinhos, ou com pessoas erradas. eu aprendi sozinha, e ainda to aprendendo ainda.
Não sou simpática, só quando quero alguma coisa, não sou carinhosa a menos que esteja com uma crise preocupante de felicidade, não sou mansa porque não preciso de ninguém fazendo festinha atraz da minha orelha nem babando sobre meu cabelo.
e em hipótese alguma: não s…

olhar para atrás

bom, to postando porque me prometi que ia postar ;}
acabei com o orkut, e pra não morrer a vida social criei um twitter, que eu não sei mexer, e atualizei o fotolog, de anooooos atrás.
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vejo então como é ser fútil, como é dizer obrigado as pessoas de quem não me agradeço de conhecer. observo quanto tempo passou desde a ultima vez em que me lembrei dos meus amigos de verdade, e quantos deles deixei morrer na minha longa jornada até aqui. pra que thamara ? pra nada, simplesmente aqui, onde deveria estar não ? com um bom livro pra ler nos fins de semana e alguns hematomas fruto de tentativas frustradas de andar de bicicleta, eu queria ter preservado aquilo tudo. quanto tempo não paro para olhar pra traz, quanta coisa minha memória usa pra trair minhas verdades ? mas de que me adianta se sempre que olho pra traz tomo de vez um novo tropeção, e digo a você: cair dói. só não dói mais do que olhar pra traz querida.
eu já me achei uma garota de muitos amigos, mas agora me considero uma garota de…