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Mostrando postagens de Setembro, 2009

minhas botas

um grito mudo faz calar minha poesia. e meu canto que era canto, doravante rouquidão.
mais uma vez com um melancólico brilho no olhar eu venho rezar a mesma missa fúnebre de sempre. como o mundo perde tempo com as coisas fúteis e corriqueiras da vida, como a felicidade pode passar por você, na ponta dos pés, e não ser reconhecida.
eu me orgulho da minha clarividencia hoje, ela foi exatamente e meticulosamente certa em tudo que eu pensei ter sonhado, mais não sonhei. um vislumbre as avessas que retrata a minha negatividade continua e uma dor pulsante que do meu peito escorre desde aquela manhã de Julho. eu quero bater minhas botas, enlamaçadas e encharcadas de poeira, seria um bom dia para pendura-las de novo, quem sabe na próxima encarnação eu tenha mais sorte com a minha própria vida, e possa cuidar com mais zelo da do outros, eu quero um telefone, eu quero ter asas de retrocesso eu quero usar meus texto para encantar alguém e amolecer o egoísmo do meu e orgulho de um certo outro coraç…

Mentira

- mentira. mentira que você me ama, que você me quer. mentira que me vê contigo ao longo dos nossos 60 anos e vai dormir por perto quando eu não tiver nada melhor para fazer, mentira.
eu quero acordar morta e sozinha, sóbria e pronta para caminhar descalça outra vez, eu quero tocar o mar. o entulho da cidade me causa asco, e jogado junto a pilha de ossos molhados, esta você, outro brinquedo da minha velha coleção, nunca me trouxe felicidade mas eu, ingénua que sou, tenho medo de jogar fora. mentira só serve pra deslavar o que é verdade, só serve para escancarar a verdade nas pessoas e recomeçar com os aplausos quando o show acabar. ninguém se importa com a verdade, a verdade passa despercebida quando a mentira é dita e consumada, muito mais saudável porem. eu quero ouvir as vozes do mundo, e navegar longe dessa tempestade de coisas que sinto e falo temporariamente. eu quero poder olhar meus olhos no espelho, e não notar os vermelhões nem a humidade que isso tudo vem causando a eles. a…

Sózinha

sozinha, na minha própria sala de estar eu posso me sentar e chorar em paz. nada é como antes, nada foi quanto deveria ter sido, mais do mesmo jeito é aqui que acabo.
eu não espero nada das pessoas, mesmo. me delicio com meus próprios pecados e dores de ser humana, e deixo que vivam, acabo achando que faço bem, quando na verdade não é simplesmente nada. eu posso vê-las de longe e sentir quando me tocam com sua generosidade ou arrogância, tanto faz, porque as cicatrizes já não fazem a mínima diferença, como tatuagens que me fizeram quando era jovem e meu mundo era bonitinho. to aprendendo a sufocar meus sentimentos, e voltando a passar a hora do jantar dentro do quarto, evitando me relacionar e oscilar com relação as ressonâncias de uma vida sem brilho. morrer não seria certo, o certo é ficar aqui, sentada na minha sala de estar, sozinha.

Thamara