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O que a vida trás

Entre um sambinha aqui e outro acolá eu te encontrei de repente. Apesar da boa aparência o desinteresse pairou nos meus olhos porque, graças a Deus, não me seduzo pelo que vejo. Porém bastou dois dedos de prosa pra nos seus braços eu me acomodar e pensar que pra sempre eu podia ficar, e a gente até jura no momento. Diz-se ser pra sempre, diz-se fazer muito bem um a outro, diz-se que poderia passar a vida toda assim beijando, chupando e mordendo. Como se fosse natural qualquer calafrio na espinha e expectativa de futuro, foi assim que meu coração novamente se partiu.
Não importa quantas vezes eu jogue com as cartas marcadas, não basta os dribles e tiradas que a minha boca planeja, a verdade permanecida é que as pessoas se empanzinam uma das outras e quando estão fartas de prazer, de tortura, conhecimento e riso, partem para o próximo gole, a primeira estrada adiante.
A melancolia disso tudo se tornou habitual, quando eu gosto muito de alguma coisa meus olhos mareiam esperando sempre pela partida. Penso que a vida é meramente troca de experiências, de momentos bons ou momentos distantes, trilhas sonoras de um dia de juventude, um dia de inconsequencia ... mas até quando e quanto?

Este não é um paragrafo de solidão mas sim de condescendência. Complacência. Paciência. E um pouco de vontade. Desejo. Satisfação. Mas também a busca de uma cura p'rum mal significativo. Solidão.




Thamara Morgan

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