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Conto: A aventura no Oriente. Capítulo 2: Em busca da menina perdida


Enquanto sou interrogada pelo dono do Iate, conto mentalmente 7 homens usando vestimentas tradicionais imaculadas e o meu inquisidor de bermuda e chinelo. Devo ter deixado transparecer um sorriso, pois o rapaz me perguntou qual era a graça e porque o estava ignorando? Respondi: Porque esses homens estão usando batas e você não? Minha voz pareceu bem menos corajosa assim que saiu da boca, o arrependimento veio de imediato. Que forma terrível de começar uma conversa, mas para minha surpresa, não fui repreendida. 

Mr. Calvin respondeu " Você gosta?  São os costumes locais. Não se chama bata, chama kandoora! Estou disposto a responder todas as suas perguntas moça, mas teremos que ir até o meu escritório. " 

Me levantei do cais e ali deixei só as marcas das minhas pegadas na areia. Pensei que aquilo seria a última pista sobre mim na vida e logo o vento apagaria. Aceitei o convite do anfitrião, eu não tive muita escolha. Atravessando o quintal reparei na piscina gigantesca em forma retangular e uma ofurô redonda na lateral. Em meu ataque de pânico nem havia percebido como cheguei ali. Ao subir as escadas da varanda notei o toque minimalista e tecnológico da decoração. A porta não tinha maçaneta e nem fechadura, o rapaz aproximou o rosto do sensor ótico e, literalmente num piscar de olhos, silenciosamente a porta de abriu. Dentro do palácio, percebi que realmente se tratava de riqueza e extravagancias em paredes cor de Marfim e uma cúpula dourada na sala principal. Fiquei boquiaberta mas apertei meu passo para acompanhar o senhor daquela mansão. Ao seu lado perguntei " Você é um marajá? " o rapaz soltou uma risada rouca e respondeu: 
" Eu não, meu irmão mais velho é o marajá ".

Atravessamos uma porta de madeira polida e lá estava o escritório do Calvin Medina, descobri assim que entrei que esse era o nome dele. O rapaz queria saber tudo sobre mim, perguntou como fui parar do Brasil para Dubai, porque escolher um intercâmbio tão inusitado e quem estava me acompanhando. Contei a história de Khalifa e tudo que aconteceu, não sei porque mas naquela sala clara, repleta de livros e computadores de última geração, eu me senti segura com ele. Calvin demonstrou ser um rapaz brincalhão e ensaiou até umas palavras em português, eu me mantive firme e pretendia voltar o mais rápido possível para o meu hostel. Quando estava para me despedir, fui informada que seria levada de carro para o lugar que estava hospedada. Consentir era uma ótima opção diante de tamanha cordialidade. Minha bateria estava acabando e quando cheguei no Hostel Alibaba de Lamburguine, todos notaram. 

Assim que entrei no meu quarto percebi que as coisas estavam reviradas, era um pequeno quarto com 4 camas mas só duas estavam ocupadas, a minha e de Nádia, a francesa recém divorciada. Achei um absurdo alguém ter mexido nas minhas coisas e comecei a pensar em teoria da conspiração. Culpei todo mundo, mas depois que ouvi baterem na porta descobri que tinha sido a camareira trocando os lenços. Tomei um banho relaxante, quando sai sentei na cama e fui procurar no notebook sobre a cidade onde estava. Eu não queria mais saber de turismo, não queria saber de estudar no curso de intercâmbio, eu queria mesmo investigar o que tinha acontecido naquele dia. 

Pensei em Khalifa e meu coração apertou, ela aparentava ter uns 11 anos, onde poderia estar?  Será que corria perigo?  Aproveitei pouco meus momentos sozinha no quarto, Nádia voltou cheia de sacolas de compras, tagarelando sobre seu dia e sobre a Mesquita de visitou, prometi que sairia naquela mesma semana com ela e depois desmaiei de tanto sono.

Acordei cedo com muita fome, o fuso horário mexeu com a minha vida de tal maneira que as 6 eu já estava planejando o que fazer. Pensei em voltar a loja de Madame Khalil mas seria provavelmente acusada de sequestro. O que fazer?  Assim que tomei meu café, comi pão sírio com chancliche(um queijo árabe) e tomava um cafezinho quando tive a ideia. Acordei Nádia e pedi que fosse comigo a vila " típica ", foi como chamei a periferia onde vivia Lathifa. Ela foi comigo contrariada, pois queria visitar o Obelisco da cidade de Abu Dabhi. Prometi que tudo daria certo, mas eu não sabia.O táxi nos deixou na porta do antiquário da Madame Khalil. Esperei na rua e tive um dejavu do dia anterior, pedi para Nádia subir e ver se tudo estava bem. Como eu temia, a menina não estava lá e quando ela desceu as escadas, a dona do estabelecimento veio atrás e me achou ali. Gritou: Você!  o que fez com a minha pequenina?  Aonde está Lathifa?  

Voltamos ao salão amarelo aonde contei o que tinha acontecido. Percebi que a mulher não estava preocupada com a criança coisa nenhuma, ela queria saber se o dinheiro fora intrege. Perguntei aonde a garota poderia estar e ela me informou que Lathifa fugia as vezes para a aldeia de sua mãe, no deserto. 

Com o endereço em mãos, voltei de táxi com Nádia que estava reclamando do "programa de índio". Ela me chingou em francês e isso foi quase um elogio para mim. Na entrada do Hostel, a Lamburguine me esperava e um homem chamado John me pediu para acompanha-lo, o veículo arrancou assim que eu entrei. 

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